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De lojas pop-up a escritórios virtuais: opções que conquistaram empreendedores

De olho na praticidade, rapidez e baixo custo, profissionais apostam em modelos de negócio nada convencionais

Você já pensou em montar um negócio em um contêiner? E trabalhar em um espaço de coworking ou contratar um escritório virtual? Se arriscaria a abrir uma loja pop-up?  Cada vez mais empreendedores buscam opções alternativas que reúnem criatividade, praticidade e baixo custo para montar seus próprios negócios.

Quando o empresário Alessandro Scapol decidiu abrir em 2013 a primeira lanchonete da rede Batatóp, especializada em vender batata frita em cones, ele não tinha dúvidas de que devia apostar no formato de contêiner - desses comumente visto nos portos, usados na importação/exportação de mercadorias.

Descrição:

Divulgação

Loja da Batatóp, em Sorocaba

“A batata frita, que é o foco do nosso negócio, é considerada um vilão da alimentação, mas nós queríamos vinculá-la a um conceito mais sustentável, por isso o modelo de negócio foi totalmente desenvolvido para funcionar em um contêiner, que geralmente é usado por apenas cinco anos pelas companhias marítimas”, conta Scapol.

Ele e o sócio procuraram uma empresa especializada em vender esses equipamentos personalizados e contrataram outra companhia, esta com expertise em montagem de cozinhas, para tirar o projeto final do papel.

Todo o estabelecimento é trabalhado em cima da ideia de sustentabilidade, incluindo as cadeiras, feitas de bobina de cabo elétrico e que custam apenas R$ 50. “Para investir em um negócio em contêiner você precisa criar uma marca que seja compatível com o conceito”, diz o empresário. 

Mas o conceito não é o único quesito que é levado em conta pelos empresários que investem nesse tipo de negócio. O baixo custo também é um fator fundamental. Se Scapol fosse construir ou comprar uma loja física no lugar de adquirir e personalizar o contêiner, os custos de toda a operação aumentariam 25%. O valor da locação pago pelo empreendedor também á mais baixo. “Eu consigo encontrar espaços ociosos e áreas de oportunidade distantes do centro das cidades que oferecem alugueis mais baratos do que aqueles cobrados nos grandes centros”, explica.

A praticidade e a mobilidade, proporcionada pelo contêiner, também é uma das principais características da modalidade. “Eu consigo levar a loja inteira para outro lugar, se eu não acertar no ponto. Existe essa possibilidade de mudança, sem que eu perca o investimento feito na reforma do estabelecimento, por exemplo.”

Isso sem falar no apelo que um negócio com essas características tem entre os clientes. “As pessoas olham e ficam curiosas, recebo muitos jovens universitários que chegam perto e querem ver como é possível montar uma lanchonete dentro de um contêiner, então ele acaba virando um ponto turístico e uma poderosa ferramenta de marketing”, diz.

As lanchonetes chegam prontas aos seus franqueados, cabendo a eles apenas providenciar uma instalação elétrica e hidráulica adequada para o funcionamento da cozinha. “É ligar na tomada e, pronto, a estrutura toda funciona. O franqueado não precisa lidar com construção, pedreiro, nem nada disso”.

A rede conta hoje com sete estabelecimentos, dois deles próprios e no formato de contêiner localizados em Sorocaba, e cinco franquias, situadas em Teresina, São Caetano, Santo André, Recife e Sorocaba. Todas as franquias são lojas físicas que se concentram nos centros urbanos das suas respectivas cidades e que foram revestidas com placas de contêiner para que a marca não perdesse sua identidade. A primeira franquia no modelo original deve ser inaugurada em breve, dentro de uma loja outlet, em Itupeva (SP).

Tamer Nader, gerente de projetos da Container Store, especializada em vendas e locações desses espaços personalizados, diz que desde 2015 o número de projetos encomendados dobrou.

“Temos fila de projeto para os próximos quatro meses. Com a economia ruim e a perspectiva de que o país fosse parar, a gente levou um susto com o aumento da demanda. Tínhamos uma meta para este ano que está para ser batida já no próximo mês”, conta Nader.

“Recebemos bastante encomenda do pessoal que quer lançar restaurante, lanchonete, sorveteria, padaria, quiosque de açaí e redes de fast food, mas trabalhamos também com outros tipos de projeto, estamos, por exemplo, personalizando 40 contêiners com abertura com controle remoto que serão instalados em um hotel fazenda que fica na divisa de São Paulo com Minas Gerais”, completa.

Segundo o empreendedor, há grandes empresas, especialmente franquias em expansão com os olhos voltados para o contêiner por causa da rapidez da instalação, da mobilidade e do baixo custo.

A empresa leva, em média, quatro meses para desenvolver o projeto encomendado pelo cliente e cuida de toda a logística que envolve o transporte e a instalação do modelo. “Dizemos que é como brincar de lego. É muito fácil de configurar, transportar e montar. É um investimento que você faz e não perde. A reforma pela qual você paga é de um negócio seu, não é de um imóvel alugado, se você não teve um resultado tão interessante você pode transformá-lo em outro tipo de negócio, e se você quer passar pra frente, nós intermediamos a revenda para outras pessoas interessadas, então não tem desperdício”, explica Nader.

Um contêiner pode custar entre R$ 3.500 e R$ 7.000, dependendo do estado de conservação. O projeto de um estabelecimento pequeno custa entre R$30 mil e R$40 mil e de um estabelecimento grande entre R$ 30 mil e R$ 60 mil. O valor final do projeto varia também de acordo com o tipo de piso, revestimento, vidro, pintura e outros materiais  usados e serviços empregados na obra.

Instalação de baixo custo, aluguel curto e lucro imediato

Mas, se o empreendedor não está disposto a pagar R$ 30 mil por um projeto desse tipo, talvez uma loja pop-up seja uma boa opção. As lojas pop-up são estabelecimentos temporários, que ocupam espaço fixo por um curto período de tempo, e vem sendo incorporadas por centros comerciais que enxergam nelas a possibilidade de oferecer uma variedade maior de produtos e ganhar dinheiro com espaços ociosos. Para os empreendedores é a chance de abrir o próprio negócio e ganhar visibilidade pagando pouco.

Cris Rocon, proprietária da Rock di Saia, loja pop-up de T-shirts voltada para o público feminino situada no Shopping Barra, em Salvador, Bahia, optou por esse tipo de negócio por causa do baixo custo e da facilidade de poder levar o seu negócio para outros ambientes sem perder os clientes.

“As pop-ups surgiram como uma opção para as marcas novas reduzirem os custos e ganharem visibilidade”, diz Rocon. “Arcar com uma loja física é complicado, conheço várias lojas que fecharam. Em épocas de crise como essa, a criatividade conta muito. A pop-up é uma forma menos custosa das pessoas investirem e ganharem dinheiro. Meu faturamento cresceu 100% desde que abri a minha”, acresenta..

A Rock di Saia já tinha uma presença forte no varejo online e no atacado quando Rocon decidiu apostar na parceria com o shopping, em 15 de janeiro. As peças, criadas pela empresária junto de uma designer, ganharam um espaço privilegiado no centro comercial de Salvador, próximo ao circuito do Carnaval, e chamaram a atenção dos clientes.

“A loja pop-up atraiu novos clientes, gente que não conhecia a marca, e que passou a comprar o produto durante o carnaval. Um mês após a inauguração eu já havia recuperado o investimento que tinha feito. Além disso, eu consigo pagar o aluguel do shopping em cerca de dois dias, com a venda de 30 blusas”, conta.

Descrição:

Arquivo pessoal

Loja pop-up da Rock di Saia, em Salvador

“Eu administro os negócios sozinha e tenho apenas duas funcionárias, uma que trabalha durante o dia e outra que trabalha durante a noite, então o custo é bem menor comparada a uma loja física que tem mais funcionários e enfrenta muita burocracia para funcionar”.

Mas para fazer o negócio gerar lucros, criatividade e planejamento são indispensáveis.

“Tem que ter novidade, então tem que lançar coleções novas e usar o espaço da maneira mais criativa possível. Duas semanas sem novidade já cansam as clientes, o shopping, as minhas funcionárias a até mesmo a mim. Além disso, tem que saber identificar qual é o melhor ponto para o seu negócio e onde está o seu público. Por exemplo, o meu público está no Shopping Barra, e estou localizada em um espaço estratégico que fica perto do cinema e de marcas que são consumidas pelos meus clientes”, destaca.

Descrição:

Arquivo pessoal

A Pop-up Rock di Saia fez tanto sucesso que teve o contrato estendido até junho

O negócio deu tão certo que o shopping resolveu renovar o contrato que vencia em março, até junho. Afinal de contas, as pop-ups também são vantajosas para os centros comerciais. Elas conseguem atrair mais clientes e otimizar espaços vazios de forma criativa.

“As pop-ups são uma oportunidade para os varejistas experimentarem produtos e serviços em um shopping já consolidado, e nós precisamos acolher essas novidades porque é uma demanda dos nossos clientes, nós precisamos trazer novas experiências de consumo para nossos consumidores”, diz Karina Brito, gerente de marketing do Shopping Barra.

Networking e produtividade a preço fixo

Novas experiências é o que define os espaços de coworking, ou escritórios compartilhados, que viraram tendência entre startups, consultorias e profissionais que trabalham por conta própria.

A opção pode não ser uma novidade, mas vem ganhando cada vez mais adeptos, conforme explica o gerente do Lab 48, espaço de working, localizado na capital paulista.

“Do último ano para cá praticamente dobrou a procura pelo espaço compartilhado. Recebíamos entre 30 e 40 pedidos de propostas por mês, agora temos entre 60 e 70”, conta Rodrigo Rufino. O escritório tem capacidade para 85 posições fixas, mas conta com 100 clientes, muitos dos quais ocupam vagas rotativas.

“As pessoas passaram a conhecer mais o que é o coworking, e além disso, a crise fez muitas pessoas desmontarem seus escritórios e migrarem para o corwoking. Tenho um cliente que mantinha um escritório de 120 metros quadrados e acabou vindo para o coworking junto do sócio e do estagiário, e desde então não tem tido mais que se preocupar em gerir o escritório. As pessoas viram que conseguem aproveitar a estrutura de um escritório de maneira bem mais enxuta”, explica Rufino.

A praticidade e a comodidade do escritório compartilhado são algumas das vantagens da modalidade. Quem trabalha em um espaço de coworking tem que se preocupar, praticamente, em apenas em trabalhar. No Lab 48, toda a estrutura de que os clientes disfrutam são da empresa: os móveis, a conexão de internet, o telefone, as impressoras, as salas de reunião, os serviços de faxineira, recepcionista e copeira. O cliente deve levar apenas o seu próprio computador. Os serviços de papelaria on demand e de impressão também ficam sempre disponíveis e funcionam de acordo com o modelo de créditos e franquias.

Como nos modelos de negócio em contêiner e nas lojas pop-up, o baixo custo é palavra chave quando se fala em coworking.Trabalhar em um espaço desses é mais barato que pagar o aluguel de um escritório em um edifício comercial.

“Se eu fosse local uma sala comercial, pagar condomínio, faxineira, internet, imobiliário e outros serviços, pagaria cerca de R$ 2.000 a mais do que eu pago no escritório compartilhado”, conta Giuliana Tocillo, bióloga e proprietária da empresa Kaplan Ambiental, especializada em consultoria e planejamento em meio ambiente.

Tocillo, o sócio e a estagiária ocupam desde outubro de 2014 três posições fixas nas mesas compartilhadas do Lab 48. Ela e o marido trabalhavam em casa, mas não conseguiam dividir as horas de trabalho e as horas de lazer. No final de 2014, com o aumento da demanda, o casal teve a ideia de contratar um estagiário, mas o plano seria inviável se os dois continuassem fazendo home office. 

“Já conhecia a ideia de coworking e achava super legal por ser algo coletivo, sustentável – mais gente compartilhando estrutura, equipamentos e serviços resulta em menos gasto de recursos naturais – e mais barato que a locação de um escritório convencional, e quando encontrei o Lab 48 não tive dúvidas de que queria participar do movimento”, diz.

Descrição:

Arquivo pessoal

Giuliana Tocillo e o sócio ocupam, junto da estagiária, três posições fixas no escritório compartilhado em São Paulo

O custo do escritório compartilhado varia de acordo com o contrato de uso do espaço de cada profissional. Existem os planos individuais e empresariais mensais que oferecem uma variedade de pacotes de horas que se encaixam a diversos escopos de trabalho e as necessidades de cada empresa, e o pay per use, sistema pré-pago, cujos créditos podem ser usados em todos os serviços do espaço, como e quando o profissional quiser. Nessa modalidade, os créditos não expiram. Caso o contratante não queira ou não precise mais usar o espaço e ainda tenha créditos ativos, ele pode ter o dinheiro de volta. O contrato não exige fiador e não é necessário adiantar pagamento, diferentemente do aluguel de uma sala comercial.

Depois que os profissionais começam a trabalhar em um espaço de coworking, eles passam a conhecer as outras vantagens desse modelo de escritório. No escritório compartilhado, o profissional trabalha ao lado de um grupo de pessoas pertencentes a várias outras áreas de atuação, o que facilita o compartilhamento de experiências e a construção de networking.

“O ambiente do escritório compartilhado é ótimo, porque se ouvem e se trocam ideias de vários assuntos, o que faz a rotina ficar mais leve e interessante”, explica Tocillo. “Um escritório somente com nossa equipe, que é pequena, seria monótono”.

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